... gosto de aprender. que me ensinem. e gosto de experimentar coisas que ainda não sei fazer. combato, com isto, o medo. a pior coisa que pode existir para quem está a começar a aprender a cozinhar é o medo. a dúvida é outra coisa. a dúvida há sempre. mesmo sabendo. reparo vezes sem conta em quem ensina e nas dúvidas que vai tendo. depois, a experiência ajuda. faz com que tudo desapareça. a dúvida permanece. até ser servido, um prato, é uma incógnita. é talvez aí que reside o mistério de tudo. nesse momento em que tudo se conjuga. é curiosamente isso que nunca "aparece" na televisão. quem for para a cozinha, aprender, a pensar que é como nos "filmes" irá perceber logo que o que falta é mesmo esse momento. o não saber no que vai dar aquilo que, por muito bem planeado, depende das mãos. do momento. do tempo, do cuidado. da precisão. da sorte. é tudo isso conjugado que define esse momento. não é se está bom ou mau. é se está como foi imaginado. pensado. desejado. e quando se trabalha em equipa ainda mais complexo é. porque o imaginado por um tem que ser feito por muitos. muitas mãos. dilui-se a individualidade de cada um para se elevar a ideia do que há para fazer. é estranho isto. porque, talvez, na cozinha, esse seja o maior desafio de todos. a diluição da individualidade para a consagração de uma ideia que é um resultado criado por alguém, imaginado, e que tem que ganhar forma e sabor nas mãos de muitos. é por isso que é tão fascinante esta ideia de chamar a um grupo de pessoas que está numa cozinha uma "brigada". é curioso que a palavra brigada tem origem no conceito "romper ou separar". mas também de trabalhar. porque estar nesse grupo é dissolver a individualidade para uma criação comum. não é perder. é usar. é saber usar e encontrar o nosso lugar. na cozinha há lugar para tudo e para todos. mas é preciso encontrar esse espaço onde estamos bem. onde podemos ser quem somos, como somos, com o que sabemos mas saber que temos que colocar tudo isso ao serviço do que há para fazer. é uma lição de vida. imensa. porque é, talvez, a maior dádiva que podemos pedir a alguém que seja quem é para uma construção, uma fazer, um produto final comum. aprender isto é talvez olhar para o lado bom da cozinha. do outro, do outro lado, que também há, reservarei o pensamento para um texto a ele dedicado. fiquemos, por enquanto, espantados com essa revelação. mesmo que breve. mesmo que incompleta. mas que se evidencia cada vez mais no que é, hoje, criar cozinha...
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário