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01/02/15

... bolachas d'encantar ...

... esquecemos os sabores simples. andamos à procura de uma sofisticação que não existe. sempre à procura da surpresa em vez do deslumbre. ver, de poucas coisas, nascer algo simples é tão deslumbrante como qualquer outra coisa. procuramos sempre a revolução e esquecemos a base. que o sabor é mais importante do que tudo o resto. aquele sabor. simples. limpo. como um rio. como uma água limpa onde podemos ver tudo. às vezes, esquecemos isso. e às vezes, uma simples bolacha pode relembrar tudo isso.

«dear leonard. to look life in the face, always, to look life in the face and to know it for what it is. at last to know it, to love it for what it is, and then, to put it away. leonard, always the years between us, always the years. always the love. always the hours.»
the hours, movie



bolachinhas d'encantar
ingredientes
100g de manteiga
100g de açúcar
250g de farinha
5g de fermento
1 ovo
5g de aroma de limão ou raspa

receita: num recipiente misturar bem a manteiga derretida e o açúcar. peneirar a farinha e o fermento e adicionar/misturar. adicionar o ovo e misturar até ter uma massa uniforme. juntar, por fim, o aroma de limão ou as raspas. esticar a massa e cortar com formas divertidas. levar ao forno a 180º até corarem.

dica: servir com sumo de laranja fresco.

... são sempre as horas que nos levam os pequenos prazeres. as pequenas coisas ditas ou feitas com atenção. é o somatório de todas essas pequenas coisas que fazem sempre a diferença. nem que seja só o tempo tirado aos dias a correr para fazer umas bolachas e sorrir um pouco mais. nem que seja pela forma simples e pelos cheiros. pelos sabores antigos que se revivem. só por isso, vale a pena.






29/07/14

... dos simples sabores...

... quando eu era pequeno lembro-me de um sabor único. era a limonada. nas tardes de verão. no alpendre da casa da minha tia. a meio da tarde. com pão-de-ló da minha mãe. fresca, num copo raso mas fino. cheio de pedacinhos de limão a flutuar. e doce. nunca mais recuperei aquele sabor. por muito que tenha tentado. nunca mais fiz limonada igual por isso mesmo. porque nunca será igual. mas, há uns anos, inventei esta. porque li um poema...

..." ficou da infância a febre
de correr parado
pelas estradas

podes chamar-lhe versos
são viagens

ficou na infância a fisga
de arremessar ao vento

podes chamar-lhe versos
são pedradas"...

daniel filipe


limonada preguiçosa
ingredientes (1 copo)
5 minutos
uma rodela fina de limão
uma rodela fina de laranja ou tangerina
hortelã
açúcar mascavado
pau de canela
gelo

receita: corte uma rodela fina de limão. corte uma rodela fina de laranja ou tangerina [preferencialmente]. num copo coloque as rodelas. coloque uma ou duas colheres de açúcar [a gosto]. coloque uma folha ou pé de hortelã. deite água fria. junte duas ou mais pedras de gelo. sirva com um pau de canela a acompanhar o copo. 
dica: desfaça o limão e a laranja/tangerina com o pau de canela e beba fresco.

... é daquelas coisas que se torna uma brincadeira para o fim de tarde. esta bebida é uma brincadeira. lembra-me o poema de ary. "minha laranja amarga e doce/meu poema". é um regressar ao poder brincar com aqueles pedacinhos do limão que ficam na limonada. ver o copo mudar. ver o sumo nascer. e provar. saber o sabor da frescura do que vamos fazendo nascer entre conversas. é sempre recomendado servir acompanhado com uma boa história de quando éramos pequenos. ajuda ao sabor. porque é fresco. porque é só uma simples e leve limonada de laranja. ou laranjada de limão. ou qualquer coisa preguiçosa que o tempo quente acolhe sempre muito bem..