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20/10/14

... eis que começa ...


... pastelaria. uma coisa me surpreendeu nestes primeiros encontros "a sério" com professores e chefes de cozinha (e de pastelaria e coisas que tais). o profissionalismo. não, não é só o ser cumpridor. é o desejo de ser profissional e com isso ensinar. pelo exemplo. e isso trespassa todos os professores com que me cruzei até agora. um gosto imenso pela profissão. um gosto imenso em fazer, de todos aqueles que aprendem, bons ou excelentes profissionais. há nisso uma beleza que se transmite sem palavras. o gosto pela escola. o gosto pela profissão e o gosto por ensinar. e o desejo, secreto, contido, escondido mas revelado nas entrelinhas de serem surpreendidos. todos eles. por nós que ali estamos para aprender. e aprendemos. coisas simples para uns que já sabem. para outros, que nada sabem, descobertas, às vezes, complexas. como a regulação dos fornos profissionais. ou o ponto de açúcar para os pasteis de nata. ou simplesmente que um forma nova tem que ser "aquecida" para perder o verniz. ou ainda que um litro de água equivale a duzentas gramas para massa de pão que leve levedura pois cresce na forma nessa mesma proporção. e parece simples. pode ser. dito numa sala, mostrado num powerpoint. uma coisa que a vida me ensinou e o ter sido professor toda a vida me ajuda é que teoria é algo de fundamental. estruturante. definidor. é o que nos ajuda a pensar. a analisar a realidade. a fazer relações entre as coisas. e se os mais novos descuram nestas coisas teóricas demais para a atenção necessária, a verdade é que é ali que reside o segredo das coisas. para isso servem os livros. por isso existem sempre os livros. e as palavras. e as explicações. porque a prática sem a reflexão sobre a mesma é sempre a realização sem alma de uma tarefa que é só repetida. aprender assim, numa casa que acolhe cada um para aprender com profissionais professores e chefes, leva sempre qualquer um a querer ser melhor. aprender mais. saber mais. nem que seja para passar o exame final. que é, simplesmente, criar uma sobremesa de autor. e as ideias começam a nascer. nem que ainda sejam sem fundamento. teórico ou prático. em estado puro. e ainda bem...

08/10/14

... começar, de novo...




«para vencer - material ou imaterialmente - três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar oportunidades, e criar relações. o resto pertence ao elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama sorte.» 
fernando pessoa

... eis que me deparo com esta frase. abertura e acolhimento. primeiro dia de "aulas". sim, porque este espaço passa a ser central. virei aqui partilhar coisas aprendidas. é um caminho este, que vou fazer. de um lado para o outro. das nove para as dez. mudar completamente (ou nem por isso) um rumo de vida. talvez seja só mais um passo. um conjunto de passos. dados num sentido. dizer a nada que não. até encontrar o percurso, porque o caminho esse, há muito estava traçado. mas é um passar de um lado para o outro, efectivamente. de professor para aluno. durante um ano e meio. para levar este desafio em frente. de aprender que a cozinha tem um lado histórico, artístico, criativo, vivo. e poder, com isto, investigar. aprender a prática. pensar tudo o resto. e na primeira aula, uma professora de experiência alargada e olhar inteligente, colocou esta frase em destaque. eu sou um fatalista por natureza. o que o poeta chama de sorte eu chamo de destino. deve ser a mesma coisa. devem ter o mesmo sabor. a ideia que tudo está escrito, como num livro de receitas. agora, é mesmo começar. com ou sem sorrisos, com ou sem dias de cansaço para além do limite, mas começar. porque afinal não é mudança nenhuma. nem andar para trás ou para a frente. é só ir aprender uma coisa que não sei. e isso é o que de mais belo qualquer ser humano pode fazer. começa aqui. tudo. essa partilha. e esses dias em volta de pratos, copos, panelas e facas. uma aventura em torno da cozinha e das pessoas que me vão ensinar. e ainda bem. porque o que quero é aprender. tudo o resto é só sorte. indefinível. ou azar. feito fado. veremos.  pois, foi por isso que nos aventurámos nestes novos percursos. e que os dias sejam feitos disto.